Espaços verde e o bem estar social

Robert Bullard é um sociologista focado em desenvolvimento sustentável que abriu oficialmente o circuito de palestras no encontro Anual e Exposição de paisagismo em Denver promovido pela American Society of Landscape Architects (ASLA). De todas as palestras  que assisti, foram 13 no total, esta provavelmente foi a menos relacionada com o meu dia a dia de paisagista, mas com certeza foi a mais inspiradora, não só para mim, mas também para os congressistas que o aplaudiram de pé por quase 5 min.

Ele trabalha a mais de 30 anos em pesquisas de bem estar social das comunidades carentes e a relação das mesmas com o espaço no seu entorno.  Pode alguém dizer que as conclusões apresentadas são óbvias, mas todas foram embasadas em dados coletados ao longo da carreira deste consagrado Ph.d.

Alguns dados interessantes apresentados: As 10 cidades americanas que aparecem no topo do ranking como as mais “verdes” e fáceis de se locomover tanto a pé como de bicicleta, também são as com os menores índices de violência e desastres naturais.

Sobre os desastres, importante notar que das 10 cidades mais propensas a sofrerem com algum tipo de catástrofe climática, 7 estão no sul dos Estados Unidos, região que também é a maior em número de população carente e doente. Isto é, os índices de obesidade, diabetes, câncer entre outras enfermidades são os maiores do pais. Além desses números de saúde pública, o desemprego e a mobilidade social (facilidade com que um indivíduo tem de mudar de classe social) são também os piores. Somado a tudo isso, nestes estados mais pobres é onde se gasta mais energia/habitante e onde a população menos acredita na utilização de energia limpa e renovável.

Os EUA estão hoje vivendo uma verdadeira epidemia de Asma. A maioria dos casos são de crianças das comunidades mais pobre que, consequentemente, estão nas áreas menos vegetadas e verdes das cidades. Em 1980 registrou-se 6.7 milhões de casos de doenças respiratórias. Este número subiu para 25 milhões no ano de 2009, segundo Robert. Em 2007 o tratamento destas doenças custou aos cofres americanos 6 bilhões de dólares.

O sociologista Robert Bullart acredita com muito entusiasmo que é preciso olhar para os mais desfavorecidos e defende que o governo americano e as instituições, como a ASLA, devam trabalhar os próximos 35 anos para criar muitos espaços verdes e saudáveis no entorno das comunidades pobres dos Estados Unidos. Além disso, ele crê que empregos e pequenos negócios precisam ser fortemente estimulados. Afinal, como ele mesmo frisou, quem trabalha 6, 8 ou 12h por dia não tem tempo para outras coisas que levam para as drogas e a criminalidade. Em vez de apenas dar benefícios, ele prega a criação de emprego….. seria ótimo se pudéssemos um dia ouvi-lo no Brasil.