Cada uma no seu tempo – O caso de quatro Livistonas que não desistiram!

Hoje em dia é até repetitivo dizer que viramos escravos do relógio, que ninguém tem tempo para curtir o jardim, que somos imediatistas e que tudo deve estar pronto amanhã. Mas a verdade é que nós da Creare Paisagismo estamos acompanhando desde janeiro de 2012 a saga de quatro palmeiras Livistonas australianas (Livistona australis) que resolveram nos ensinar que cada um tem o seu tempo e que muitas vezes o relógio biológico não está ajustado com o cronograma imposto!

Acontece que em Janeiro de 2012 acompanhamos o plantio das plantas referidas em um projeto nosso aqui em Porto Alegre. O plantio aconteceu em uma semana de recorde de calor. Não adiantava argumentar, a cadeia de acontecimentos estava muito bem ajustada e revisada. Entra as palmeiras, depois o gradil, segue o retoque da pintura… e por ai seguiam as predecessoras e sucessoras atividades da obra. O calor seguiu forte naquele verão e, mesmo tendo água em abundância, a transpiração das plantas era enorme e as mudas sentiram demais o plantio.

Em meados de Agosto ligaram para a empresa com a seguinte notícias: “Todas as palmeiras morreram! Estão horríveis e precisam ser trocadas imediatamente”. Realmente o quadro era feio. Apenas uma das palmeiras ainda sustentava duas ou três folhas verdes misturadas a um emaranhado de palha. Mas, apesar do estado deplorável das plantas, elas tinham um viço que é difícil de explicar, mas fácil de sentir. Elas não pareciam mortas.

Solicitamos que fossem retiradas todas as partes secas e que se molhasse bem a terra, pois o inverno, estava sendo anormalmente seco. Passamos quase 6 meses pedindo calma aos moradores e à construtora. Negociamos que em Dezembro elas estariam bonitas. Para nossa felicidade as 3 mudas que eram viradas apenas em tronco realmente já apresentavam uma tímida copa no Natal. Mas, por ironia, a única que anteriormente era vistosa agora estava “morta e horrorosa”.

Mais uma vez pedimos tranqüilidade. Explicamos que elas haviam sofrido muito e que o tempo de recuperação desta jovem senhora não era o mesmo de uma muda infantil. Nos deram até Março como prazo final para a sobrevivencia da mesma.

Semana passada jogamos a toalha. De tantas vezes questionadas se valia a pena manter uma planta naquele estado agendamos a troca da muda para Abril (as outras 3 estão com lindas copas formadas e felizes no jardim). Fomos ao local. Tiramos fotos para avaliar o maquinário necessário….tudo isso em uma quarta-feira. Por coincidência tínhamos reunião na mesma localidade na sexta. Adivinhem…. 10cm de folhas novas verdinhas e tenras apareciam do miolo da planta!!!!! A danada não quer sair dali! Ela não está morta. Nenhuma das quatro mudas estavam. Elas só não respeitaram a urgência dos nossos dias.

 Foto palmeira em Agosto de 2012

 Foto palmeira Fevereiro de 2013